Sabes aquele sítio que ninguém espera encontrar numa cidade europeia? Pois é, o Templo de Debod, mesmo no coração de Madrid, é um desses lugares surpreendentes. Parece mentira, mas estamos a falar de um templo egípcio autêntico, com mais de dois mil anos de história, que foi desmontado pedra por pedra e reconstruído ali mesmo, no Parque del Oeste.
Mas afinal, o que é o Templo de Debod?
É um templo egípcio que foi originalmente construído perto de Aswan, no sul do Egipto, mais concretamente em Debod, daí o nome. Foi mandado construir pelo rei Adijalamani de Meroé, por volta do século II a.C., e dedicado aos deuses Amon e Ísis. Depois, durante o período romano, o templo foi ampliado e ganhou novas salas e elementos decorativos.

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Como é que veio parar a Espanha?
Ora, nos anos 60, o Egipto começou a construir a grande Barragem de Assuão e muitos templos históricos ficaram em risco de desaparecer debaixo de água. A UNESCO lançou uma campanha internacional para os salvar e, como agradecimento pela ajuda da Espanha na conservação de Abu Simbel, o governo egípcio ofereceu o Templo de Debod em 1968. Foi desmontado, transportado em contentores e montado novamente em Madrid, peça a peça, como se fosse um enorme puzzle arqueológico. A reconstrução mantém a orientação original do templo (Este–Oeste). O templo foi aberto ao público em 1972.

Por Francis Frith – This page, Dominio público, Enlace
Visitar o templo
O templo está no Parque del Oeste, bem pertinho da Plaza de España. Dá para ir a pé desde o centro, ou então apanhas o metro até Plaza de España (linhas 3 e 10) e estás lá num instante. A entrada é gratuita, o que é sempre uma boa notícia. E se fores de carro, há estacionamento pago na zona, mas convém ir com tempo, porque costuma encher. Se quiseres mesmo relaxar, podes sempre ir de trotinete elétrica ou alugar uma bicicleta.
Abre de terça a domingo, das 10h às 20h, mas atenção: à segunda está fechado! Quanto ao tamanho, o templo não é enorme, tem cerca de 12 metros de altura, 14 metros de largura e 20 metros de profundidade, mas o impacto que causa compensa bem a visita.
Curiosidades e dicas
O templo não tem água à volta como muitos imaginam, por questões de conservação e segurança, mas antigamente era rodeado por um lago artificial. De qualquer forma, o melhor momento para visitar é ao fim da tarde, especialmente ao pôr do sol. Fica lindíssimo com as luzes a acenderem-se por volta das 20h, dependendo da época do ano.
Lá dentro, há inscrições hieroglíficas, pequenas salas e até projecções audiovisuais que explicam a história do templo. O nome «Debod» vem da localidade egípcia onde se encontrava originalmente. E já agora, o parque onde está inserido chama-se mesmo Parque del Cuartel de la Montaña. O Cuartel de la Montaña foi o local dos fuzilamentos do 2 de maio de 1808, retratados por Goya. Também foi cenário de eventos no início da Guerra Civil Espanhola em 1936. O quartel foi destruído e demolido posteriormente.
E o melhor? Ficas logo ali ao lado do Palácio Real, dos Jardins de Sabatini e da Catedral de Almudena. É o sítio ideal para um passeio ao fim do dia, com um bocadinho de cultura à mistura, um cenário incrível e uma vista maravilhosa.
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