Gran Via de Madrid

Alexandre Muscalu

Só a Descubra Madrid oferece a possibilidade de cruzar os pontos turísticos e culturais da cidade histórica de Madrid com um professor brasileiro de história, filosofia e ciências sociais que estudou turismo na Espanha. Com certeza uma experiência instigante. Alexandre, que tem nacionalidade espanhola, é também Mestre em ensino no Brasil, metodologia para compartilhar informação e o desejo de se divertir com seu grupo enquanto desvenda a cidade não irão faltar.

15 de julho de 2022

Toda grande cidade que se preze tem uma pra dizer que é sua.

A par da brincadeira do título, é muito comum às médias e grandes cidades terem um grande eixo orientador e comunicante de partes importantes do centro da cidade. Avenida Getúlio Vargas no Rio, a Paulista em São Paulo, a Sete de Setembro de Salvador ou Boa Viagem em Recife. 

Em meados do século XIX, com o acelerado desenvolvimento industrial e urbano alimentando uma vertiginosa concentração demográfica, duas grandes capitais europeias, Londres e Paris, passaram a desenvolver ambiciosos projetos de fruição viária e monumentalização de praças ou edifícios. Havia também outros dois pontos a considerarem, as possíveis revoltas sociais, muito comuns em meados do XIX e também questões sanitárias e epidemiológicas. Daí resultaram as primeiras grandes avenidas, muitas vezes com as laterais ou seus canteiros centrais ajardinados.

Paris, sob o regime autoritário do rei Napoleão III, teve como prefeito o barão Haussmann (1809 – 1891), administrador de Paris entre 1853 e 1869. É sob sua administração e incontáveis intervenções na paisagem parisiense que se consagrou uma dos mais famosos corredores urbanos do mundo: a Champs-Élysées, começando na Praça da Concórdia e terminando no Arco do Triunfo. Este complexo arquitetônico e viário formam um claro exemplo deste modelo de operação urbana e que se tornaram base para muitos outros projetos mundo a fora.

– E o que temos em Madrid com uma história parecida? 

– Certamente a Gran Vía, o mais importante eixo comercial e de entretenimento do centro madrilenho e com alguns dos edifícios mais representativos da cidade.

Para além do que é hoje, a Gran Via é muito importante para graças à história que carrega. Este desenvolvimento urbano e arquitetônico seguiu as tendências europeias do seu tempo e foi um impulso para a modernidade. Deste impulso, derivou-se uma boa parte do desenvolvimento econômico da cidade.

A Gran Vía convertida na principal via de Madrid durante o início do século XX, cantada em óperas e músicas populares, ponto de encontro, local de passeio, centro comercial, vitrine para as classes abastadas e símbolo da renovação arquitetônica de Madrid do século XIX, tornou-se uma rua constantemente congestionada tanto por carros como por rios de pessoas que em certas alturas do dia caminham ao longo das suas calçadas cheias de lojas, cinemas, discotecas, bares, restaurantes, quiosques ou livrarias.

A história da grande via começa em abril de 1910, quando o rei Alfonso XIII, empunhando uma picareta de prata, inicia os trabalhos de demolição de um bom número de casas e ruas para abrir esta artéria moderna concebida ao estilo da Paris da Belle Époque, cidade que seguiu marcando a dinâmica urbana das outras capitais europeias no início do século XX. Um século mais tarde, o caminho ainda conserva todo o seu esplendor e história.

A Gran Vía nasce na Calle de Alcalá e termina na Plaza de España. Notam-se três trechos bem diferenciados. O primeiro, de Alcalá à Rede de San Luis, apresenta os edifícios mais antigos com memórias dos ares parisienses que impregnavam a capital espanhola nos anos 1920. Um belo exemplo é o edifício Metrópolis, concebido em 1905 por arquitetos franceses, com decorados no século XIX e coroado pela escultura de bronze de uma Vitória alada, com quatro metros de altura e suspensa a 44 metros do chão.

A grande avenida começou como um projeto, em meados do século XIX, que teve um grande impacto sobre a população de Madri. Mobilizando muitos afetos, com opiniões a favor e contra, ao ponto de Federico Chueca, em busca de um tema popular que atraísse o público, ter composto uma zarzuela chamada Gran Vía mais de vinte anos antes do início da construção.

O motivo do projeto era traçar uma rota de comunicação entre Alcalá e Plaza de España (então Plaza de San Marcial). A ideia era que o tráfego evitaria a passagem pela Puerta del Sol. Para isso, a rota seguiria a antiga Calle de San Miguel, com algumas variantes importantes e limpando o espaço.

Em 1898, o Conde de Romanones, prefeito de Madrid, pediu aos arquitetos um estudo sobre a viabilidade do projeto. Apenas dois meses depois, estava pronto. Mas foi só em 1910, com José Francos Rodríguez como prefeito, que o rei Alfonso XIII considerou começar as obras com o início da demolição da casa da Cura de San José, ao lado da Calle de Alcalá.

Um total de 312 casas foram demolidas para formar 32 novos blocos. Devido à magnitude do empreendimento, a prefeitura decidiu enfrentar os trabalhos de demolição e construção em três fases, ao longo de 44 anos de intervenções no centro da cidade.

Se primeira fase afetou o trecho que vai desde Alcalá até a Red de San Luis, então chamada Avenida Conde de Peñalver e tocada entre 1910 e 1917, a segunda fase foi o decurso entre a Red San Luis e a Plaza de Callao. Esta seção foi então chamada rua Pi y Margall e foi desenvolvida entre 1917 e 1921. 

Na segunda parte, de influência nova-iorquina, destaca-se o edifício da Telefónica, o primeiro com vontade de arranha-céus construído em Madri (1920) graças ao projeto de Ignacio de Cárdenas e do arquiteto da International Telephon Telegraph, Lewis S. Weelk. A pseudo decoração barroca da fachada era anacrônica, mesmo em seu tempo, em comparação com os outros edifícios vizinhos. A altura é de 90 metros e o edifício ganhou maior notoriedade por ser palco da série do Netflix, “As Telefonistas”.

O último bloco de intervenções foi o trecho entre a Plaza de Callao e a Plaza de España, então chamada Avenida de Eduardo Dato. Começou em 1926, embora nem todas as parcelas tenham sido ocupadas até meados do século.

Embora cada um dos termos tivesse seu próprio nome, popularmente sempre foi chamada de Gran Vía ao longo de toda a sua extensão. Mesmo antes do início das obras, o povo de Madrid já usava este nome.

À medida que a construção da Gran Vía avançava, estabelecimentos comerciais com muita publicidade foram abertos. Isto fazia lembrar Nova Iorque, com cinemas, bares ao estilo americano, estações de rádio e revistas ilustradas. Desde então, a Gran Vía não deixou de ser o primeiro ponto de referência no mundo do entretenimento na cidade e em toda a Espanha. Segue carregando esta áurea até hoje com sua grande concentração de casas de Musicais, como a Broadway americana.

Desde aqueles primeiros anos, abriga construções tão emblemáticas como o edifício Carrion (também chamado Capitol, de 1931) ou a companhia Telefónica (1929). Também encontramos estabelecimentos comerciais e de lazer, como o que antes eram as lojas da SEPU (primeira loja de departamentos da Espanha) e hoje abriga a segunda maior unidade do mundo da Primark irlandesa ou o Museu Chicote, restaurante e bar frequentado por celebridades hollywoodianas. E, é claro, os cinemas do Palácio da Música ou do Callao.

Durante a Guerra Civil, a Gran Vía sofreu inúmeros danos, a ponto de ser conhecida como a avenida dos obuses. Na verdade, o edifício da Telefónica tornou-se um observatório militar. Nesta época chegou a ser nomeada de “Avenida de la CNT” (central sindical anarquista) e mais tarde, em 4 de junho de 1937, seu nome foi alterado para “Avenida de Rusia”, em um claro aceno de simpatia ao gigante russo. Mesmo assim, antes do fim da guerra ela ainda sofreu uma nova mudança em seu nome oficial, tornando-se a “Avenida da União Soviética”. Por sua vez, o último trecho, da Avenida de Eduardo Dato, também se tornou entre 1937 e 1939 a “Avenida do México”, país que ajudou a receber exilados do bando republicano.

Quando a guerra terminou, ela foi renomeada Avenida de José Antonio (em homenagem ao fundador do partido fascista A Falange, o mesmo do ditador Franco) e os edifícios danificados começaram a ser restaurados. Em pouco tempo, e com as limitações impostas pela escassez e pelo racionamento, foram abertos novamente bares, lojas, cinemas e teatros, abrindo assim o período de esplendor de Chicote.

Com o tempo, a Gran Vía foi povoada por veículos, uma infinidade de luzes de néon, discotecas, lugares da moda e novos estabelecimentos de todos os tipos que a tornaram uma referência líder no comércio da cidade. É por isso que muitas pessoas ilustres, tanto nacionais como estrangeiras, estiveram passeando por suas calçadas.

Hoje, suas calçadas são povoadas com visitantes em todas as horas do dia e da noite. Novas lojas estão constantemente abrindo somados aos concorridos espetáculos musicais e peças com salas lotadas ao longo do ano.
Considerando a atividade diária que pode ser observada nesta avenida, os montantes investidos para estabelecer negócios em suas instalações, e os corriqueiros projetos de desenvolvimento urbano que costumam afetá-la, parece que, após 100 anos, a história de Madrid continua passando pela Gran Vía.

Pontos imperdíveis que você deve fazer uma paradinha. 

 Museo del Chicote , coqueteleria mais famosa da Gran via. 

Cruzar la puerta giratoria de Museo Chicote es entrar en una cápsula del tiempo en la historia de Madrid, un templo cuya barra es el altar y los cocktails sus dioses.”

Museo del Chicote

com essa frase apresentamos a coqueteleria mais antiga da cidade, por onde passou grandes nomes do cinema como Frank Sinatra, Grace Kelly, Ava Gardner, Rita Hayworth, Sofia  Loren, Gregory Peck e também jogadores de futebol, politicos e autoridades internacionais.  Fundado em 1931, foi o primeiro bar de coquetéis da Espanha. O barman Perico Chicote encomendou a decoração Art Déco, que ainda está intacta, ao famoso arquiteto da época, Luis Gutiérrez Soto.

Uma série que retrata o ambiente no museu do Chicote é a Arder Madrid. Narra a vida da atriz americana Ava Gardner durante sua residência em Madri nos anos 1960, do ponto de vista de suas empregadas domésticas e em plena era franquista. Sua vida louca junto com uma elite de artistas, aristocratas e estrangeiros do que foi a Dolce Vita de Madri, é o foco do regime de Franco no poder, em uma Espanha conservadora em que “pessoas de fora faziam suas extravagantes farras”, enquanto “a classe trabalhadora levava uma vida pobre e ignorava o que estava acontecendo fora de suas fronteiras”. Uma comédia premiadíssima, que recomendo a todos,  muito divertida.

Está aberto pelas tardes a partir das 19h.

O Espaço gastronômico do El Corte Inglês de Callao

Pl. del Callao, 2, 9ª planta 

Vistas desde do Espaço gastronomico do Corte Ingles de Callao

Um local com muitas opções gastronômicas, com opção para comprar produtos gourmets espanhóis, e ainda possui umas vistas maravilhosas da Gran Via, e o melhor de tudo, não tem que pagar nada para subir. Ao contrário dos outros rooftop, que tem uma taxa de consumação obrigatória. Aberto de 10 até as 01:00 

Alguns Rooftop mais disputados na Gran Vía de Madrid.

Os rooftop mais badalados da cidade estão no eixo da Gran Via.  No verão são muito disputados. Porém, no mês de Agosto que a cidade fica vazia, pois os Madrileños entram de férias “quase que coletiva”, pode ser uma ótima oportunidade para apreciar a “Madrid desde Cielo”.

  • Azotea Círculo de Belas Artes
  • Espaço gourmet El Corte Ingles
  • Terraza Cibeles
  • Picalargatos
  • El Jardín de Diana
  • Ella Sky Bar Madrid
  • Sky 44 Madrid | Terraza – Bar
  • Ginkgo Restaurante & Sky Bar

Vejas as opções de hoteis que temos na Gran Via.

5 estrelas

4 estrelas

3 estrelas

2 Estrelas

Para chegar na Gran via em Transporte público, existem 4 estações de Metrô. 

  1. Gran via
  2. Callao
  3. Santo Domingo
  4. Plaza España
  5. Banco España


Outra estação que também deixará próximo seria

  1. Sevilla
  2. Sol
  3. Chueca

Existe ainda um ônibus que circula gratuitamente saíndo desde de Moncloa até a Estação de Atocha. Numero 001

Gostou de conhecer sobre a Gran via?

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